Todo mundo tem memórias bizarras...
A gente tem isso desde a primeira infância...
Eu tenho todas as memórias bizarras imagináveis.
Entretanto, para tê-las foi necessário a existência de uma porção de pessoinhas que, se não existissem por obra de Deus, eu, por certo, não teria como inventá-las. Aquelas pessoinhas de forma única, acho que todos sabem do que eu falo...
Enfim, se a minha gaveta de memórias está entupida de memórias malucas, devo isso a essas pessoinhas incríveis, esses meus "presentes de Deus", que acredito que vieram a este mundo unicamente para trazer esse colorido exótico à minha existência.
Então, vai meu "abraço de urso" pra Regina, Marco (não é Marcos porque, segundo ele, é um só), Deise, Bel A., Osmane, Rosi, Tarlão e todos os outros que recordarei no momento oportuno.
AVISO IMPORTANTE: Este blog está protegido pela Lei de Direitos Autorais. A reprodução, no todo ou em parte, do conteúdo aqui postado estará sujeito às penalidades legais. O fundo usado no blog é reprodução de uma tela de Miró - "O Carnaval de Arlequim” (1924-25).
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terça-feira, 13 de outubro de 2009

O CACHORRO QUE MORDEU O SAPO

Passei toda minha infância morando numa vila, da qual eu e minha família saímos quando eu estava com 19 anos.As casinhas dessa vila eram separadas por cercas de madeira e arame farpado.
Não tínhamos grandes divertimentos, o pessoal era todo pobre.
O divertimento de minha mãe era ficar na cerca, batendo papo e fazendo fofoca com as vizinhas.
O meu divertimento, quando não estava na rua, brincando, era ficar perto da minha mãe e da vizinha do fundo, escutando enquanto elas falavam sem parar.
A vizinha dos fundos tinha um vira-latas chamado Duque.
O Duque ficava amarrado no postinho do varal.
Um belo dia, estou eu ouvindo o papear sem trégua da minha mãe e da vizinha, quando o Duque, que não era de muito latir, abocanhou um sapo enorme, maior que a boca dele...
Tentei avisar as duas, mas elas não paravam de falar e minha mãe mandava eu calar a boca mal eu começava a falar...
Eu não tirava os olhos do Duque e acabei levando uns tapas da minha mãe porque comecei a cutucar seus braços, para contar do sapo...
O Duque largou aquele sapão e começou a soltar uma baba branca, parecida com leite e pulava feito um boneco de molas.
Deitou no chão, esticou as pernas, se sacudiu todo, parecia que estava levando uns choques, igual nos desenhos animados do Tom e Jerry e do Frajola e Piupiu.
Eu fiquei olhando aquilo um tempão, chorando não sei se por causa do cachorro ou dos tapas da minha mãe.
De repente, o Duque virou a cabeça pro meu lado, ficou revirando os olhos e parou de se mexer... Ele não soltou nenhum latido!
Ai eu não agüentei, berrei com toda força O DUQUE, OLHA O DUQUE, O DUQUE, O DUQUE, O DUQUE...
O silencio parecia aquelas gelatinas em que a gente enfia a colher e ela treme toda.
A vizinha olhou o Duque, mas já não adiantava mais nada...
Começou a berrar feito uma maluca e eu levei outros tapas da minha mãe, que ficava falando, porque você não falou nada???
Vai entender esses adultos....