Pois é... acredito que enfim deverei procurar um médico. Alguma coisa, com certeza, está fora de lugar nesse meu cérebro pensante!!! Moro há doze anos num apartamento e, diga-se de passagem, meus móveis e utensílios também residem no local pelo mesmo tempo que eu... Diga-se, também, que não sou muito adepta de modificações e, assim, o meu lar encontra-se imutável, numa mesmice de doze anos seguidos. Cheguei em casa num dia de extremo calor, por volta das 18:00 horas, e, como havia muitas coisas ainda para fazer, adiei o prazer de um banho gelado até às 23:00 horas. Entretanto, cansada e com cara de quem passou as últimas horas numa sauna, enfim tirei a roupa, acendi um cigarro e... A torneira do chuveiro não abria!!!! "Meldels!!!", como diriam as amiguinhas de minha filha, o que fazer??? A exaustão tomava conta de mim de forma generalizada, minhas mãos estavam até que meio dormentes de tanto trabalhar e aquela porcaria, que durante doze anos nunca me deu nenhum trabalho, sem o menor aviso anterior, simplesmente se recusava a girar. Empenhei-me, com as forças que me restavam, nua, suada, cansada, mas nada... A bichinha nem se mexia.... E eu sozinha naquele apartamento, necessitada de um banho como um cão vadio necessita de um osso... Lágrimas de impotência rolavam por minha face suarenta, praguejei, xinguei, só não subi em cima da torneira porque não tinha como... Num daqueles estalos (que todo mundo chama de insight) pensei, é lógico!!!! Pega um alicate, quero ver ela, a maldita torneira, não abrir.... Armada com um pesado alicate, ainda nua, me sentindo assim meio que medieval com minha pele grudenta, enfim ataquei aquela belissima torneira cromada, de forma arredondada, reluzente (sinal da qualidade dela, que não desbotou por doze anos, sequer foi arranhada) e consegui que ela desse meio giro. Mas, cadê a água????? Pelo amor de Deus, cadê essa bendita água???? Nem uma gotinha, nada... Desisti da torneira, ataquei a ducha higiênica e tomei uma droga de um banho meio que agachada porque o cano da ducha era curto para o box e no estado em que eu me encontrava não possuia condições fisicas ou mentais de limpar o banheiro depois... Tendo refrescado meu corpo com esse arremedo de banho, senti-me menos ensandecida, podendo, enfim, concluir que era caso para um encanador... Passei uma semana tomando banho na casa da minha mãe porque não encontrava um santo de um encanador... Quando, enfim, alguém se dignou a visitar minha famigerada torneira, tudo que eu queria era enfiar-me num buraco bem fundo pelos próximos dez anos, afim de que ninguém mais se lembrasse de mim... Como pode isso??? Eu abri aquela torneira por 12 anos seguidos, sou uma pessoa bastante esclarecida, tipo grande leitora, formação universitária e blablablá... Não é que eu estive tentanto abrir a torneira pelo lado errado!?!?!? Em vez de girá-la para abrir eu a estava forçando a se fechar ainda mais, com o auxilio até de alicate!!!!! Sim, agora está tudo bem, voltei a tomar meu banho em casa, mas cada vez que abro aquela torneira que já foi linda (lanhei e arranhei ela todinha com o alicate) escuto um gemido meio que de amargura vindo dela e a vergonha tira parte do prazer de refrescar-me. Acredito que serei obrigada a mandar trocar a torneira, porque hoje ela me constrange tanto, que fica dificil esquecer o quão pouco foi necessário para tornar-me uma pessoa ensandecida, atarracando-me nua, suarenta e em lágrimas a uma torneira, numa noite de calor...
Todo mundo tem memórias bizarras...AVISO IMPORTANTE: Este blog está protegido pela Lei de Direitos Autorais. A reprodução, no todo ou em parte, do conteúdo aqui postado estará sujeito às penalidades legais. O fundo usado no blog é reprodução de uma tela de Miró - "O Carnaval de Arlequim” (1924-25).
A gente tem isso desde a primeira infância...
Eu tenho todas as memórias bizarras imagináveis.
Entretanto, para tê-las foi necessário a existência de uma porção de pessoinhas que, se não existissem por obra de Deus, eu, por certo, não teria como inventá-las. Aquelas pessoinhas de forma única, acho que todos sabem do que eu falo...
Enfim, se a minha gaveta de memórias está entupida de memórias malucas, devo isso a essas pessoinhas incríveis, esses meus "presentes de Deus", que acredito que vieram a este mundo unicamente para trazer esse colorido exótico à minha existência.
Então, vai meu "abraço de urso" pra Regina, Marco (não é Marcos porque, segundo ele, é um só), Deise, Bel A., Osmane, Rosi, Tarlão e todos os outros que recordarei no momento oportuno.
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sexta-feira, 4 de dezembro de 2009
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A FAMIGERADA GAVETA DAS MEMÓRIAS
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