Dona Beatriz (como diriam os antigos: que Deus a tenha) foi uma das minhas vizinhas de infância. Uma mulher magérrima, com a voz esganiçada que algumas donas de casas possuem, daquele tipo que prenuncia ataques permanentes de histeria. Frequentava minha casa diariamente, alugando os ouvidos de minha mãe por horas a fio. Até hoje não entendo que tanto assunto havia numa vila onde não acontecia praticamente nada além do escândalo de duas vizinhas que se pegavam a socos e pontapés ocasionalmente (o escandâlo era porque uma delas sempre acabava pelada no meio da rua)... Enfim, estavamos jogando cartas, aquele jogo enjoativissimo de escopa quinze, quando ela adentrou pelo portãozinho, toda esbaforida (como sempre), com seu risinho nervoso e muito, mas muito mesmo, de pura loucura. Quando nos viu, parou um instantinho para olhar o jogo, olhou bem para meu irmão e disse: Meu Deus, esse seu olho é lindo.... azulzinho, azulzinho, como uma polenta..." Fala sério!!!! Onde é que existe uma polenta azul???
Todo mundo tem memórias bizarras...AVISO IMPORTANTE: Este blog está protegido pela Lei de Direitos Autorais. A reprodução, no todo ou em parte, do conteúdo aqui postado estará sujeito às penalidades legais. O fundo usado no blog é reprodução de uma tela de Miró - "O Carnaval de Arlequim” (1924-25).
A gente tem isso desde a primeira infância...
Eu tenho todas as memórias bizarras imagináveis.
Entretanto, para tê-las foi necessário a existência de uma porção de pessoinhas que, se não existissem por obra de Deus, eu, por certo, não teria como inventá-las. Aquelas pessoinhas de forma única, acho que todos sabem do que eu falo...
Enfim, se a minha gaveta de memórias está entupida de memórias malucas, devo isso a essas pessoinhas incríveis, esses meus "presentes de Deus", que acredito que vieram a este mundo unicamente para trazer esse colorido exótico à minha existência.
Então, vai meu "abraço de urso" pra Regina, Marco (não é Marcos porque, segundo ele, é um só), Deise, Bel A., Osmane, Rosi, Tarlão e todos os outros que recordarei no momento oportuno.
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terça-feira, 11 de outubro de 2011
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A FAMIGERADA GAVETA DAS MEMÓRIAS
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